ACERVO ILMA FONTES

SOBRE O PROJETO

Este projeto envolveu a prospecção, identificação, higienização, catalogação, digitalização e disponibilização de parte do acervo da artista sergipana Ilma Fontes, composto por roteiros, cartazes, argumentos, fichas de inscrição, entrevistas, correspondências com outros artistas, entre outros documentos.

O contato com o vasto conjunto de materiais inéditos produzidos pela artista nos permite vislumbrar a imensidão de sua obra, marcada pela diversidade de formatos e pela inquietude criativa que sempre a guiou. Acreditamos que o projeto Acervo Ilma Fontes traz uma grande contribuição para que pesquisas e estudos voltados a compreender a real dimensão do seu trabalho possam frutificar.

A realização deste projeto atende a um desejo expresso pela própria Ilma, que, consciente da importância de salvaguardar sua obra, manifestou a necessidade de preservar os registros de décadas de atuação cultural. Com ele, buscamos contribuir para a preservação e valorização da memória audiovisual e artística de Sergipe, oferecendo ao público o acesso ao legado de uma das mais importantes artistas do estado.

Todo o material catalogado está disponível neste site por meio do plug-in de código aberto Tainacan, garantindo acesso público e gratuito ao mesmo.

Essa iniciativa foi contemplada no Edital 08/2023 – Lei Paulo Gustavo em Aracaju.

ILMA FONTES – LINHA DO TEMPO

  • INFÂNCIA

Ilma Fontes nasceu em 10 de abril de 1947, em Aracaju. Gostava de afirmar que ser ariana a conectava ao elemento fogo, o que traduzia sua energia e inquietude criativa. De acordo com sua autobiografia, desde muito cedo demonstrou interesse pelo universo artístico: gostava de recitar poemas em público e acompanhava o tio, o músico Carnera, nas apresentações que ele fazia pelo interior de Sergipe. Também gostava de desafiar as normas e assim, aos 13 anos cruzou a nado o rio Sergipe (no sentido Aracaju-Barra), feito inspirado pelo lendário Zé Peixe, e permitido apenas aos garotos da região.

  • CARREIRA

Atendendo às expectativas familiares formou-se em Medicina em 1972, especializando-se em Psiquiatria e Medicina Legal. Apesar da sólida formação, abandonou o exercício da profissão por frustração, optando por se dedicar integralmente ao jornalismo e às artes.
Ainda assim, transformou sua experiência médica em matéria criativa: seguindo o conselho do cineasta Sílvio Tendler, desenvolveu o roteiro do longa-metragem Oroboros, inspirado em sua vivência como psiquiatra.
Entre outras atividades ligadas ao universo jornalístico, fundou em 1991 o periódico alternativo O Capital – Jornal de resistência ao ordinário, que editou sozinha até seus últimos anos de vida.

  • AUDIOVISUAL

Como cineasta, Ilma Fontes construiu uma trajetória marcada pela intensidade criativa e pela multiplicidade de formatos. Produziu dezenas de roteiros (dos quais onze integram este projeto) contemplando curtas, longas-metragens e produções televisivas. Na direção, destacou-se com os curtas O Beijo e Arcanos – O Jogo, além da série A Última Semana de Lampião.

Entre seus roteiros publicados estão A Fúria da Raça (1997), Bala-Bala, Audições e Oroboros — estes três últimos reunidos no livro Melhor de Três: Roteiros para Cinema (1987). Atuou ainda na então TV Educativa de Sergipe, onde dirigiu o Departamento de Produção (1984-1987), período em que realizou documentários, programas televisivos e a já mencionada série sobre Lampião.

  • ÚLTIMOS ANOS

Em seus anos finais, Ilma manteve-se ativa como curadora, articuladora cultural e escritora. Em 2019, lançou o livro de poemas Nervuras: Poesia em Carne Viva e sua autobiografia Tempo bom, Tempo ruim. Faleceu em 3 de abril de 2021, em Aracaju, por complicações decorrentes do câncer que enfrentava.

GALERIA DE FOTOS

FICHA TÉCNICA

Coordenação Geral:
Lu Silva e Moema Pascoini

Produção:
Nah Donato

Assistente de Produção:
Caroline Souza de Carvalho

Consultoria Técnica:
Profª. Dra. Glêyse Santos Santana

Técnicas Pesquisadoras:
Carolina Dantas Santos e Paloma Naziazeno

Designer:
Gabi Etinger

Desenvolvedor Web:
Mathias Lobo

 

Agradecimentos especiais a Ilza Fontes